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Secretaria de Educação discute igualdade racial dentro do Novembro Negro

Por Danielle Andrade

Publicado em 07/11/2019, às 13:52

Editado em 12/11/2019, às 10:51

Nesta quarta-feira (6) coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino participaram de mesa-redonda com o tema “A desnaturalização do olhar para a promoção da igualdade racial e os impactos da lei 10.639/2003 na educação brasileira”, no Adamastor Centro. A iniciativa da Secretaria de Educação integra as ações do Novembro Negro 2019 promovidas pela Prefeitura de Guarulhos.

O evento contou com exposição de artes e palestras sobre a importância de contemplar o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas unidades escolares, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Para Patrícia de Silva Matildes, chefe de divisão técnica de Políticas para Diversidade e Inclusão Educacional, o tema visa a ampliar a discussão e fortalecer a luta contra o racismo nos espaços educacionais. “Pensando em ressignificar o nosso olhar como profissional, como cidadão no nosso município, é de grande relevância a discussão acerca da lei 10.639 nas escolas, além do diálogo e reflexão com as crianças a fim de potencializar nossa prática dentro da discussão racial”, destacou.

A programação contou com a participação dos palestrantes Cleber Santos Vieira e Marina Pereira de Almeida Mello, ambos professores da Unifesp. Por meio do tema “Coordenação pedagógica e educação para as relações étnico-raciais, um lugar estratégico”, Cleber abordou a importância de conhecer a história da população negra do Brasil, mostrando dados estatísticos, experiências eas lutas por uma sociedade mais justa e igualitária, sobretudo no espaço pedagógico, considerando o papel transformador dos educadores.

Na sequência, a palestra “Não sou escrava da escravidão que escravizou meu país: sobre abolição e insurgências”, Marina buscou problematizar a iconografia sobre a escravidão, questionando as razões das escolhas didáticas e midiáticas quase sempre recaírem por imagens que enfatizam "apenas" sofrimento e humilhação. “A história da escravidão é bem mais do que isso e é necessário que, ao atender a lei 10.639/03, educadores se atentem para a complexidade do período e das relações. Há uma correlação intrínseca entre os signos da escravidão e o racismo."

A palestra contou ainda com a apresentação de fragmentos do vídeo Quanto Vale ou é por Quilo, do diretor Sérgio Bianchi, baseado em uma coletânea de documentos históricos das mais variadas origens, tais como testamentos, cartas, diários, entre outros documentos, lotados no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e em outras narrativas sobre o período escravocrata como o conto "Pai contra mãe", de Machado de Assis. 

FND Graffiti Art

Durante o evento, o público pôde apreciar as obras da série Todo Dia é Preto, Não só Novembro, produzidas por meio de tinta acrílica e spray, do artista plástico guarulhense Fernando Manuel da Silva, mais conhecido como FND Graffiti Art.Repleta de expressividade, a arte retratada nos olhares envolveu os participantes.

“Eu gosto de retratar os rostos de pessoas, que revelam os sentimentos, momentos de alegria e sofrimento”, explicou FND sobre o colorido de suas obras e expressão nos olhares. O artista pertence ao Núcleo Cultural Pimentas e contribui periodicamente com os coletivos Somos a Mídia e Movimento Popular Cultura Ativa. 

Mostra Afro-Brasil

O projeto Literalmente Isso apresentou a mostra Afro-Brasil, que conta com a Árvore Baboá repleta de folhas com curiosidades, lendas africanas, além do passo a passo para construção de bonecas abayomi. A árvore foi construída pelos artistas e servidores da Prefeitura de Guarulhos Antonio Donizeti Vaz de Azevedo, o Cabelo, e Marly Akemi Soga Alves, que juntos realizam um trabalho primoroso a partir do uso de materiais como papel, papelão, argamassa e tinta.

As árvores baobás são nativas de Madagascar, das savanas da África, e parecem ter sido plantadas de cabeça para baixo devido a seus galhos lembrar raízes e permanecer por durante muito tempo sem folhas. Essas espécies são bem grandes, podendo alcançar até 25 metros de altura.

Neste ano, as Escolas da Prefeitura de Guarulhos Deucélia Adegas Pera, Dolores Gilabel Hernandes Pompêo e Milton Luiz Ziller também recebem a exposição.