Inclusão digital está no cardápio de cursos para cozinheiros das Escolas de Guarulhos



Por Paulo César Marques
Publicado em 27/05/2020
Editado em 17/06/2020, às 14:42

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O vírus covid-19 saiu do interior da China para mudar radicalmente a vida em todo o planeta. Desde 11 de março, quando a OMS declarou pandemia do novo coronavírus, as pessoas tiveram de suspender seus projetos, adiar planos, cancelar compromissos e interromper trabalhos. Tudo para diminuir os riscos de contágio e evitar o caos no sistema de saúde.

Com as pessoas em casa, a internet e os programas de TV se tornam cada vez mais relevantes. Entre as campeãs de audiência estão as atrações que têm a culinária como destaque. É inegável o interesse das pessoas em melhorar suas habilidades na cozinha e em aprender novas receitas. Mas para uma turma de Guarulhos, o entretenimento virou teletrabalho e investimento na qualificação profissional.

A equipe de nutricionistas do Departamento de Alimentação e Suprimentos da Secretaria Municipal de Educação (Dase) decidiu aproveitar a crise para se reinventar, assumindo com a direção o desafio de levar conteúdo de qualidade aos funcionários que atuam nas cozinhas das escolas da rede municipal. Nascia o primeiro curso de formação totalmente online para esses profissionais.


Inclusão digital

O conteúdo foi dividido em 4 módulos com temas escolhidos pela relevância e identificação com o dia a dia de uma cozinha de escola pública. Os 9 nutricionistas da Educação foram os responsáveis por elaborar o material escrito e gravar as 20 vídeoaulas disponibilizadas diariamente entre 04 e 29 de maio.

Os profissionais puderam se aprofundar em temas como boas práticas, higienização, desperdícios, refeição saudável etc. Tudo para garantir uma alimentação escolar cada vez melhor. Com 30 anos de experiência, Luci Mara Dias Almeida Gomes, cozinheira na EPG Mariazinha Rezende Fusari, destaca a inclusão digital como o grande diferencial na busca de novos conhecimentos. Por sua vez, Magda Luciana Soares Santos, da EPG Carlos Drummond de Andrade, disse estar adorando a capacitação online, “porque consigo focar no assunto, sem interrupções, com um método atraente e dinâmico”.

Durante 1h:30, os colaboradores assistem um vídeo com duração entre 10 e 45 minutos, leem textos relacionados ao assunto e respondem a um questionário que ajuda a medir o nível de compreensão. O objetivo não é avaliar, e sim permitir que o treinando chegue ao resultado correto refazendo a questão quantas vezes for necessário. Para o cozinheiro Carlos Alberto Beck, da EPG Mauro Roldão, um dos mais novos da rede, “está sendo uma grande oportunidade para adquirir conhecimentos através de uma tecnologia de fácil acesso. Como fui contratado em fevereiro, estou melhor preparado para assumir minhas funções”.


O futuro é agora

A nutricionista Denise Catão é a coordenadora do grupo e responsável por disponibilizar os vídeos no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), plataforma criada pelo Departamento de Planejamento e Informática. “Apesar de ser uma novidade tanto para professores quanto para os cozinheiros, a ferramenta apresenta grande funcionalidade e, com isso, a adesão foi enorme”, ressalta. 

“Até o mês passado, não passava pela minha cabeça curso online para cozinheira. No começo foi assustador, mas rapidamente me adaptei e não vejo nada melhor do que poder estudar na hora mais cômoda e no lugar mais confortável. São os novos tempos”, ensina a cozinheira Naide de Oliveira Santos Arruda, da EPG Sítio do Pica Pau Amarelo.

O nutricionista Rodolfo Alexandre do Nascimento Aquino adianta que o Dase já está com um canal no YouTube para armazenar as informações e atualizar o conteúdo oferecido. “Podemos ter grandes aprendizados com esse momento delicado. É uma boa hora para atualizar e otimizar a comunicação, portanto, ideias como essa podem ter chegado para ficar”.

Especialistas afirmam que depois desse período de isolamento, a educação não será a mesma. A provável adoção da tecnologia às práticas pedagógicas levará a um modelo de ensino híbrido, em que o aluno estuda sozinho, aproveitando ferramentas online e de forma presencial, valorizando a interação com o professor. “Nossa equipe abraçou o desafio e se empenhou para fazer o melhor, apesar do ineditismo do projeto. O Feedback positivo e a grande participação dos cozinheiros comprovam que a ferramenta veio para ficar, superando nossas expectativas quanto ao seu potencial”, afirma a nutricionista Cristiane Tavares Matias.

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