Semana Mundial do Brincar 2022

O Brincar e os diferentes Tempos de Vida

Crianças de 0 a 6 anos

Um dia ele se equilibrou de pé
E soltou a minha mão
Então ele sentiu o bom que é
Andar solto pelo chão

Palavra cantada – 2015

 Primeira Infância

Primeira infância é o período que se inicia durante a gestação e finda aos 6 anos de idade. Durante essa etapa o crescimento e desenvolvimento são muito rápidos. Diversas áreas de estudo científico mostram que as maiores possibilidades para a formação das competências humanas ocorrem entre a gestação e o sexto ano de idade. Esse conceito está registrado no Marco Legal da Primeira Infância, lei de 2016 que garante os direitos relacionados a essa etapa da vida.

O período da primeira infância é aquele no qual, desde o nascimento, a criança mais aprende e constrói práticas, ideias e atitudes, a depender das relações e dos estímulos recebidos, e dos espaços nos quais convive e explora (GUARULHOS, 2019, p.15)

Primeira fase – 0 a 3 anos

Não nascemos sabendo brincar, é na interação que aprendemos, por isso vemos diferentes modos de brincar em diferentes regiões do mundo. A única coisa universal é que a brincadeira promove a inserção do sujeito na cultura, saber e conhecimento da comunidade, além do fortalecimento de vínculos de afeto, primordial para o desenvolvimento de todos os seres humanos.
Nessa primeiríssima infância devemos lembrar que os seres humanos se desenvolvem por meio da interação, por isso as brincadeiras em que crianças bem pequenas podem interagir são tão especiais. Quem nunca brincou : “Cadê o bebê? Achou!!!!”. Cantigas de ninar e de brincar também são bem-vindas: serra, serra, serrador; ou aquelas com as mãos e dedos: “Cadê o toucinho que estava aqui? Esse cãozinho foi às compras entre tantas outras de nosso vasto repertório.
Outro tipo de brincadeira é a de exploração, crianças bem pequenas são verdadeiros cientistas, por isso é tão importante pensar nos espaços, que precisam ser livres de perigos (tomadas, fios, objetos cortantes entre outros). A ideia é que possam rolar, sentar, engatinhar, dançar, investigar cestos de tesouros, objetos, diferentes tipos de riscadores, fazer cabanas, circuitos com túneis, investigar brinquedos, fantoches, olhar-se no espelho, conhecer texturas, cheiros, sons, cores além de manusear diferentes portadores de texto como revistas, livros, jornais entre outros.
É interessante também garantir uma “cota” de natureza, andar descalço em diferentes superfícies como terra, grama, areia; brincar com água, fazer meleca com tintas comestíveis, construir castelos de areia; subir e descer de escorregadores, balançar e sentir o vento e observar o mundo natural: céu, nuvens, chuva, pássaros e outros animais, plantas e etc. Devemos sempre lembrar que somos natureza e que ficar longe dela nos faz ficar doentes. Bora lá fora brincar com as crianças bem pequenas também?

Segunda fase – 4 a 6 anos

Vemos com maior frequência as brincadeiras de faz de conta, o interesse por jogos e brincadeiras com regras e coletivas. Os jogos orais são dos mais diversos: trava-línguas, adivinhas, parlendas, cantigas. É importante ressaltar que precisamos manter um equilíbrio entre as brincadeiras livres e dirigidas, individuais e coletivas, com ou sem brinquedos estruturados em todas as fases. Geralmente as crianças gostam muito de criar traquitanas, construções, histórias e se fantasiar, como dizem: É a fase do faz de conta!
Brinquedos de construção são bem-vindos também, mas não essenciais, pois podemos construir com materiais não estruturados como caixas de papelão, rolinhos, botões, elementos da natureza. Outra coisa que é infinita é a energia para correr, saltar, pular, escalar, testar os limites do corpo, e qual o melhor lugar para isso? Acertou quem disse “ao ar livre”, na natureza, em parques ou áreas verdes. Vamos assinar um manifesto para desemparedar nossas crianças? É brincando que se aprende, que nos desenvolvemos, que aprendemos a lidar com o outro e com os desafios.

Crianças de 7 a 12 anos

O meu dente tá ficando mole
Feito maria mole
Eu tô achando que ele vai cair…

Tiquequê – 2013

É com muita tristeza que vemos uma drástica diminuição do brincar e jogar conforme as crianças avançam na Educação Fundamental I, é nessa fase que começa o distanciamento do brincar, contudo não podemos deixar de considerar que o sujeito é criança até os 12 anos de idade.

A propósito, na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança de 1990, criança significa toda pessoa de até dezoito anos. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice aceito para tal designação vai até os dez anos, quando entra, então, a pré-adolescência. Ainda na legislação nacional, o Estatuto da criança e do Adolescente considera criança a pessoa com até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos. (Revista do brincar v. 2)

Essa fase é a que corresponde a idade em que frequentamos o Ensino Fundamental I. As brincadeiras e jogos tornam-se mais complexos e coletivos. Dominós, cartas e jogos de tabuleiro tornam-se uma boa opção, uma vez que o tempo de concentração e interesse é maior.  Os jogos orais permeiam esse universo de diversas formas como os associados a brincadeiras com mãos, palmas e copos, ou mesmo naquelas que trazem desafios como em “frutas brasileiras”, passa anel entre outras. Há brincadeiras, ainda, feita apenas com combinados como em detetive, barra-manteiga, corre-corre (com diferentes variações), duro ou mole, vivo ou morto, rouba-bandeira, seu mestre mandou, ajuda-ajuda, esconde-esconde, gato mia entre outras. Bolas, cordas, papéis e outros objetos proporcionam uma infinidade de possibilidades: queimada, futebol, basquete, voleibol, pular corda, corrida do saco, STOP/adedanha, amarelinha, elástico entre outras. O faz de conta ainda é muito presente e as bonecas, carrinhos e outros brinquedos ainda fazem parte do cotidiano. Como dito anteriormente, brincar na natureza é de extrema importância, andar descalço, subir em árvores, coletar elementos encontrados como gravetos, folhas, pedrinhas, conchinhas para criar, observar, explorar e descobrir.

Adolescentes

Adolescente, olha! A vida é nova…
A vida é nova e anda nua
— vestida apenas com o teu desejo!

Mario Quintana

Temos a impressão que na adolescência as pessoas ficam mais contidas, com muito mais medo do julgamento alheio, bullying, firmar-se como “crescido”, quanto mais distante de uma imagem infantil “melhor”. É uma fase de intensas mudanças e descobertas, pensar no presente e planejar o futuro.
Jogos e esportes ficam mais evidentes e são os momentos em que mais vemos o lúdico, a brincadeira o soltar-se. Futebol, voleibol, queimada, basquete e outros jogos com bolas são bem frequentes.
Board games, ou em bom português: jogos de tabuleiros mais elaborados estão muito em evidência, até importaram um termo em inglês para diferenciar os velhos jogos desses novos que são bem mais complexos. Há, inclusive, lojas e locais especializados nesse nicho brincante de mercado.
Todo mundo ama imaginar, criar e se FANTASIAR! Já ouviu falar de cosplay? Cosplay é um termo da língua inglesa, formado pela junção das palavras costume (fantasia) e roleplay (brincadeira ou interpretação). É hobby muito popular entre jovens e adultos, nele as pessoas se fantasiam de personagens fictícios da cultura pop, ou seja, buscam inspirações no cinema, livros, mangás e animes, seriados entre outros.
Ainda nesse universo temos diversos app´s de vídeo que trazem dancinhas, coreografias e desafios que após serem filmados pelos usuários são compartilhados e muitas vezes rodam boa parte do mundo.
É uma nova maneira de interação e conhecer pessoas, contudo nada, absolutamente nada, substituirá o olho no olho durante as conversas, a presença e a importância da interação ao vivo, a pandemia nos mostrou isso, não é mesmo?

Adultos

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão

Milton Nascimento

Há quem diga que é uma delícia brincar com as crianças, sejam elas filhos, educandos, sobrinhos entre outros, ter contato com outras gerações é muito interessante e prazeroso. Para alguns é como se recebêssemos uma licença brincante, onde podemos ser engraçados, brincar, fazer caretas, vozes diferentes e dar muita risada. Embora seja uma bobagem essa tal licença, pois somos seres lúdicos por natureza, isso nos faz tirar a armadura e ser feliz.
Ter contato com pessoas de diferentes idades é importante para ambos os lados, além de ser uma forma de resgatar e compartilhar lembranças para que não se percam, também é uma forma dos mais jovens conhecerem e entenderem nossa cultura.
Existem diversas brincadeiras que perpassam as idades, adultos também podem brincar e se divertir com jogos de tabuleiro, dominós, bolas, RPG entre tantas outras coisas citadas anteriormente. O mais importante é ter uma postura aberta e entender que essa também é uma dimensão que devemos olhar com carinho.

Idosos

“Nós não paramos de brincar porque envelhecemos,
mas envelhecemos porque paramos de brincar”.

 Oliver Wendell Holmes

Uma das importantes conquistas da humanidade, sem dúvida, é o aumento da expectativa de vida das pessoas. Com o aumento da população com idade superior a 60 anos na sociedade, os governos e as pesquisas se voltaram para investigar mais sobre como proporcionar maior qualidade de vida para essa faixa etária, além de entender mecanismos que auxiliem a melhoria da saúde física e mental. Outro ponto a ser levado em consideração é que em alguns lugares do mundo a população está deixando de ser predominantemente de jovem, o que nos leva a pensar novas políticas públicas e que certamente devem ter com um dos pontos estruturantes o lúdico.
O brincar proporciona uma vida mais saudável em todas as suas dimensões, sejam elas físicas, mentais e sociais, uma vez que melhora a autoimagem e facilita as atividades criativas. Falando em social, uma das coisas que é comum nessa faixa etária é a solidão, por isso muitas pessoas procuram cursos, universidades abertas, clubes, escolas entre outras coisas para poder conversar e socializar.            
O resgate de lembranças, de brincadeiras, de causos, além de auxiliar a preservar a capacidade da memória, também é uma ótima maneira de reflexão e ressignificação das histórias passadas.