Por Carla Maio
Publicado em 23/04/2026
Editado em 23/04/2026, às 15:25

A partir de uma perspectiva estética e lúdica, como potencializar os espaços da escola para que seja possível tornar a leitura e a escrita hábitos cotidianos? Como parte de seu Programa de Formação Permanente, a Secretaria de Educação oferece o curso Pro-LEEI (Leitura e Escrita na Educação Infantil), uma oportunidade para que os professores da educação infantil possam ampliar conhecimentos e refletir sobre a ação docente, no que diz respeito ao acesso das crianças à cultura escrita.
O curso, que é destinado a educadores da rede municipal e está alinhado ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e ao Decreto Federal nº 11.556/2023, oferece aos participantes ferramentas para que possam refletir sobre suas práticas e criar em suas escolas experiências variadas com as diversas linguagens, por meio da valorização do lúdico, das brincadeiras e das culturas infantis.
A coordenadora pedagógica Luciane de Oliveira Lima é cursista do Pro-LEEI. Na EPG Olavo Bilac, no Jardim Tranquilidade, ela cumpre algumas das intencionalidades mais latentes do curso com a articulação entre conhecimentos teórico-científicos, manifestações artístico-culturais e o cotidiano na educação infantil. ”Acredito que participar desse curso possibilita ampliar o repertório sobre a temática e multiplicar junto aos professores a fim de refletir nas ações realizadas com as crianças”, destacou Luciane. A coordenadora enfatizou ainda a emoção em participar de um curso como o Pro-LEEI. “Políticas públicas como essa são essenciais para dar visibilidade ao nosso trabalho tão importante na Educação Infantil”.
Livros à mão das crianças

A partir dos encontros presenciais do curso, onde Luciane tem a oportunidade de aprofundar temáticas, reflexões e teorias sobre as práticas de leitura e escrita realizadas no cotidiano escolar, ela vem fomentando com o grupo de professores o desenvolvimento de práticas pedagógicas com a oralidade, leitura e escrita. A coordenadora destaca a iniciativa do PNLD literário, que ampliou sobremaneira a quantidade de livros do acervo e ofereceu à escola a oportunidade de renová-lo por completo.
Com a equipe docente, ela ampliou discussões em horário de trabalho pedagógico sobre práticas reflexivas e ações educativas que colocam as crianças diante dessas e outras aprendizagens, reconhecendo-as como sujeitos socioculturais plenos. “O curso motivou necessidade de estudo constante para aprofundamento teórico, valorização das infâncias e fomento à leitura com práticas qualificadas para o acesso à leitura pelos educandos”, explicou.
Foi assim que a equipe decidiu pela criação de espaços onde os livros pudessem estar permanentemente disponíveis às crianças. Luciane contou que a curadoria dos livros, tanto dos que estão nas salas de referência, sala multiuso, pátio e até no refeitório quanto daqueles que são levados para casa pelas crianças para leitura com as famílias, foi um dos primeiros desafios do grupo de professores.
Essa ação, segundo a coordenadora, foi essencial para garantir não apenas as condições de manuseio e a quantidade de livros que atendesse o número de turmas, mas também a diversidade de temáticas que vão ao encontro do currículo municipal.
Experiências variadas com as diversas linguagens
No contexto da EPG Olavo Bilac, uma das formadoras municipais do Pro-LEEI, Camila Zentner, observa que há livros espalhados na escola assim como há brinquedos, o que viabiliza acesso real das crianças à literatura, para além dos momentos dirigidos em sala, quando os professores se dedicam a ler os livros. “Deixar os livros amplamente disponíveis para os pequenos cria hábitos como manusear e folhear as páginas, observar que há livros com textos imagens e outros somente com imagens, e compreender como as histórias podem ser contadas e recontadas quando e onde elas quiserem”, pontuou a formadora.
Para a professora Fabiana Simplício, houve uma mudança de entendimento no modo como lidar com as propostas de leitura para tornar o aprendizado mais envolvente. “Se antes os livros ficavam guardados nos armários, agora, eles estão à mão das crianças, o que melhorou a experiência dos alunos”.
Já a professora Cintian Peres enfatiza a atuação do educador, segundo ela, um mediador da aprendizagem e desenvolvimento na primeira infância. “Ao criar ambientes que incentivam a exploração e a participação ativa dos alunos, a escola tornou possível um trabalho com diferentes gêneros textuais ao mesmo tempo em que possibilitou momentos de grande liberdade para as crianças”, comemorou a docente.
Literatura em Movimento

Neste mês de abril, durante o Literatura em Movimento, período em que as escolas da rede municipal estão engajadas na ampliação de ações literárias e formativas que extrapolam as salas de aula e ganham os lares, a EPG Olavo Bilac promove a Ciranda do Livro, quando as crianças escolhem um livro para levar para casa e incentivam a leitura junto com seus familiares.
Em meio aos livros que vão e voltam para a casa das crianças, o foco de atenção da equipe de gestores e professores está na oferta de rico acervo de livros com diversos formatos e materiais, o que chama a atenção de quem visita a unidade por um motivo muito simples: tem sempre uma criança carregando um livro pra lá e pra cá.