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Alunos da EJA visitam Museu da Língua Portuguesa



Por Carla Maio
Publicado em 28/04/2026
Editado em 28/04/2026, às 13:14

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Na última quinta-feira (23), um grupo composto por 30 estudantes da EJA Diurna (Educação de Jovens e Adultos) das Escolas da Prefeitura de Guarulhos Edson Nunes Malecka e José Jorge Pereira e do Centro Municipal de Educação e Artes (Cemear) visitou o Museu da Língua Portuguesa, no bairro da Luz. Acompanhados por professores, os alunos saíram cedinho da cidade rumo ao centro de São Paulo, onde viveram experiências nunca antes imaginadas para a maioria deles. 

Durante a interação com o acervo digital e as experiências interativas do espaço, os alunos tiveram a oportunidade de vivenciar a língua de modo inusitado e compreender que, como ela é viva, pode ser criada e recriada todos os dias por seus falantes. Em diferentes estações do espaço, eles encontraram experiências auditivas únicas, repletas de músicas, poemas, línguas diferentes e até mesmo a própria língua portuguesa falada por pessoas de países que também a têm como língua materna.  

“Gostei da visita ao museu, aprendi o significado de muitas palavras e fiquei emocionada com tantas novidades, ainda mais por encontrar poemas que a professora Simone já nos mostrou aqui na escola”, disse a aluna Margarida Oliveira, de 59 anos. 

FUNK: Um grito de ousadia e liberdade


O que era apenas um convite para que os alunos mergulhassem nas estações multimídia do espaço logo se tornou o encontro e reconhecimento de seu próprio território, por meio da exposição FUNK: Um grito de ousadia e liberdade. Obras e performances dos guarulhenses Edgar, Beré Magalhães e Juliana Martins são parte do acervo da exposição, que fica em exibição até o dia 30 de agosto, com pinturas, fotografias, registros audiovisuais e itens de artes visuais. A curadoria da vertente paulista do gênero é da também guarulhense Renata Prado.

Na obra “A Lei do Tambor”, do artista visual guarulhense Beré Magalhães, é possível ver o instrumento cheio de botões, luzes e sons que ampliam seu alcance simbólico e sonoro. Já nas obras “Inocente” e “Isso não é um fuzil”, o multiartista Edgar usa elementos do cotidiano, como câmeras fotográficas, guarda-chuvas e tricô para ampliar o debate sobre violência policial cometida contra a população negra nas periferias. Em meio a outras performers, a dançarina Juliana Martins representa toda a liberdade e ousadia dos passinhos, demonstrando a força e a presença feminina no Funk. 

Em visita ao museu também pela primeira vez, a aluna Maria José, 58, ficou impressionada com a história de um homem negro que morreu porque seu guarda-chuva foi confundido com uma arma. “Acho que o artista quis chamar atenção para essa injustiça, um guarda-chuva é muito diferente de uma arma”, disse a aluna, reflexiva.

A presença de trabalhos dos artistas de Guarulhos na mostra, assim como de outros expoentes do gênero na grande São Paulo, amplia a concepção feita originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR), e destaca a influência do gênero musical sobre a língua, as artes visuais e a moda, apresentando acervos exclusivos do funk paulista.

História


A exposição FUNK: Um grito de ousadia e liberdade ocupa todo o 1º piso do Museu da Língua Portuguesa e mostra o caminho percorrido pelo gênero musical desde a influência da música negra estadunidense, o estabelecimento no Rio de Janeiro com características próprias e depois em São Paulo, onde incorporou características locais.  

Nesse percurso, os alunos foram acompanhados pela equipe de monitores educativos do espaço, que forneceram informações valiosas sobre a história do funk, sua origem na matriz cultural urbana, a vivência periférica, sua dimensão coreográfica, comunidades, e os desdobramentos estéticos, políticos e econômicos que se constituíram ao seu redor. 

Os alunos Raimunda Maria, 63, José Abelardo, 66, e Nicoly Eshiley, 14, ficaram encantados com as vestimentas, sapatos, cortes de cabelo e também com o modo como as pessoas dançam. “O funk é sobrevivência e resistência, uma forma de acabar com o preconceito sobre a cor e modo de vida das pessoas que moram nas comunidades”, pontuou José.

O gênero se originou do soul e dos bailes Black. O soul foi a trilha sonora da população negra que lutava pelos direitos civis nos Estados Unidos entre os anos 1960 e 1970. No Brasil ele chegou durante o regime militar e ganhou espaço nos bailes Black, os principais difusores do soul no Brasil, sendo lugares de lazer para trabalhadores suburbanos e, ao mesmo tempo, de conscientização e representatividade negras. No Rio de Janeiro, em 1996, o estadunidense James Brown, ícone do soul e precursor do funk, se apresentou no Canecão, que mais tarde se tornaria o Baile da Pesada, espaço de divulgação da estética no país. 

Quer saber mais sobre a EJA em Guarulhos, acesse https://portaleducacao.guarulhos.sp.gov.br/siseduc/portal/site/listar/categoria/99/. Você também pode ter mais informações sobre a exposição em https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/memoria/exposicoes-temporarias/funk-um-grito-de-ousadia-e-liberdade/

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