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Funcionária pública inspira pessoas em oficinas de artesanto



Por Carla Maio
Publicado em 19/09/2017
Editado em 24/01/2020, às 16:36

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Mãos habilidosas, carinho nas palavras, afeto e paciência ao ensinar. Para a funcionária pública Célia Thomé, de 52 anos, o trabalho artesanal que ela compartilha durante as oficias de Quilling e Macramê Hippie nas bibliotecas municipais de Guarulhos exige um bom toque de delicadeza. 

Célia trabalha na Prefeitura de Guarulhos há 26 anos. De lá para cá, já passou por inúmeros postos de trabalho, todos eles ligados à Cultura, como a Ação Cultural na Biblioteca Monteiro Lobato e pelas Artes Visuais e Artesanato. Há 5 anos, dedica-se às oficinas na Biblioteca Gracinda dos Anjos de Sá Domingues, no Jardim Bom Clima.

Nesse longo percurso, a artesã vem se dedicando, sobretudo, a inspirar pessoas, e isso rende, durante as oficinas, longos bate papos com os participantes, em sua maioria pessoas em busca de geração de renda, e por isso não desperdiçam as dicas de Célia.

Uma pitada de criatividade

Cola, papel, palitinhos, tesoura, estilete, purpurina, peças miúdas como pérolas, miçangas, bijuterias. No universo de materiais e ferramentas que Célia utiliza, o elemento essencial é a criatividade.

“Quando eu comecei a fazer o macramê, por exemplo, eu sabia apenas o mais simples. Hoje, ensino os alunos a fazer tartarugas, mandalas, corujas, tudo que você treina, te leva à perfeição”, explica

Autodidata, ela conta que aprendeu as técnicas de encadernação artística, quilling, macramê e cestaria sem a ajuda de grandes mestres. Em meio aos alunos de Célia, há principalmente jovens, que encontram no artesanato uma forma de subverter, de forma criativa, a lógica cruel de acesso ao primeiro emprego.

Trabalhando na biblioteca Gracinda, Célia sentiu a necessidade de atender um público ao qual não estava habituada, pessoas que precisavam de outras atividades, adolescentes que estavam em caminhos errados e que tiveram a chance de manifestar o que gostariam de aprender:

“Ah, tia! Nós queremos aprender a fazer pulseirinhas. Tá bom, fui lá, comprei material, e aprendi e assim, comecei a ensinar devagarinho. As oficinas já acontecem há 3 anos, muita gente aprendeu a fazer e já está vendendo por aí, na escola, na praia”, conta animada. 

Artesanato: um santo remédio

Célia não apenas domina a técnica de manusear papeis, ela também é habilidosa e paciente no momento de orientar os alunos, mostrando a melhor forma de obter a dobradura ideal.

“Eu atendi um grupo de idosos por um ano seguido e uma das alunas, que vai fazer 80 anos, aprendeu a fazer quilling e trabalha vendendo na feira, para os vizinhos, faz cadernos, imãs de geladeira, bijuterias. Ela começou a fazer as aulas porque estava com depressão, foi recomendação do geriatra para que ela ocupasse o tempo, estimulando o cérebro”. 

Aos seus alunos, Célia também dá dicas de equipamentos, materiais e locais especializados onde eles podem comprar matéria prima para suas criações. Além disso, também oferece um panorama do mercado de artesanato, lançando um olhar carinhoso sobre suas experiências e expectativas, promovendo calorosas trocas de ideias e trabalhos.

Os dispostos se atraem 

Como todo artista, Célia também tem crises de criatividade. É então que ela busca inspiração em vídeos no youtube: “tem tanta coisa misturada, busco artistas de quilling na internet, descobri que na Capela Sistina, por exemplo, há artes em quilling centenárias, feita em ouro e prata. Tudo isso me ajuda a descobrir novas criações, técnicas, tudo isso me ajuda a ter novas ideias”.

Para a artista, sua maior alegria é ver as pessoas se interessando pelas oficinas, quando alguém a procura para aprender a ensinar.

Esse é o caso de Maria da Conceição Menezes Fachinetti, de 51 anos, que trabalha como educadora na alfabetização de jovens e adultos e alunos com deficiência. Para ensiná-los, ela sempre procura trazer atividades com as quais eles possam se identificar. “Fazer artesanato com os alunos os leva a aprender matemática, falamos sobre as cores e tonalidades, e eles também aprimoram a coordenação motora, equilíbrio, foco, atenção e a sociabilidade”.

Tania Regina Pinto, 50 anos, é psicóloga de formação. Ela também procurou as oficinas de artesanato em busca de inspiração já que, depois de aposentada, pretendia continuar trabalhando, mas foi mandada embora. Um dia, encarregada de fazer uma festa junina para as crianças que tomo conta, decidiu comprar os chapéus. Foi então que ela se deparou com um valor bastante elevado desse item, inviável para um grupo com 10 crianças. “Decidi comprar apenas 4 chapéus. Andando pela rua, encontrei o chapéu cru, com valor inferior e eu mesma fiz a decoração com fitas. O resultado ficou tão bom que recebi várias encomendas, passei o mês todo fazendo chapéu de festa junina. Sempre achei que eu não tinha nenhum, me surpreendi”. 

Já Renata Martins, de 38 anos, pode ser considerada uma artesã e empreendedora, já que a cada momento inventa uma coisa diferente para fazer. Sobrinha de Tania, ela motiva a jovem tia nas mais diferentes aventuras, principalmente quando o que está em jogo é colocar a “mão na massa”.

“Cada hora inventamos uma coisa diferente e juntas nos apaixonamos pelo Quilling. Para mim que já comecei a fazer, o resultado é incrível, é uma técnica bem desafiadora, e como optei por fazer letras, tenho dificuldades, mas quando você vê pronto, a satisfação é grande”. 


 



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