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Fundadores do Conservatório de Guarulhos prestigiam espetáculo da Orquestra Jovem



Por Carla Maio
Publicado em 02/09/2019
Editado em 10/01/2020, às 9:02

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A Prefeitura de Guarulhos promoveu no último final de semana a estreia da Ópera Vanessa, de Samuel Barber, com a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos. O espetáculo encenado pela primeira vez no Brasil levou grande público ao Teatro do Adamastor Centro nos dois dias de apresentação. Em mais uma demonstração da importância do evento, a plateia contou com as presenças dos maestros Armando e Túlio Colacioppo, fundadores do Conservatório Municipal de Guarulhos há quase 60 anos.

O Secretário de Cultura, Vitor Souza, destacou a importância da realização de mais esse espetáculo da Temporada 2019 da OJMG: “Chegamos ao sexto programa da Orquestra Jovem no Adamastor neste ano, sempre com casa cheia e a evidente satisfação do público, que já tem por hábito prestigiar os músicos com aplausos efusivos e muita alegria, numa perfeita comunhão entre a Cultura e as pessoas”, explicou o secretário enquanto comemorava a presença dos fundadores do Conservatório. 

Bastante satisfeito com o que viu e ouviu, Túlio Colacioppo lembrou momentos saudosos, responsáveis por disseminar a tradição da música de orquestra na cidade de Guarulhos, como as apresentações da Orquestra do Theatro Municipal de São Paulo, em 1964, no Ginásio Fioravante Iervolino, e em 1967, no Cine São Francisco, no centro.

“O que a Orquestra Jovem e o maestro Emiliano Patarra fizeram esta noite na estreia do Barber aqui em Guarulhos é algo memorável. Em toda a minha vida, apresentei mais de 3 mil espetáculos em mais de 180 países e posso garantir que aqui existe algo extremamente inovador, fruto de sementes plantadas no passado e que agora se transformam nesse belíssimo espetáculo cheio de leveza e emoção”, observou Colacioppo, enfatizando a inusitada tarefa de colocar a orquestra por detrás das cortinas, limitando o acesso visual dos cantores aos comandos do maestro, a não ser pela utilização de um monitor posicionado à frente do palco. 

Para o maestro Patarra, que assinou com louvor a direção artística e musical do espetáculo ao lado de nomes expressivos como Marcelo Cardoso Gama e Jeremy Reger, os desafios impostos à realização da montagem foram sendo gradualmente superados ao longo do processo de construção: 

“É por constatar que poucas são as montagens desse gênero a cada ano e acreditar que a ópera é uma forma de expressão viva e em pleno desenvolvimento, com um potencial enorme a ser explorado no nosso país, e especialmente na cidade de Guarulhos, que nos motivamos a trazer a vocês esse espetáculo”, contou o maestro.

O mesmo amor que liberta, aprisiona

Com os olhos atentos às cenas e ao telão com a tradução em português do texto inglês, o público do Adamastor Centro vivenciou momentos de suspense e tensão ao longo de quase duas horas de espetáculo. Título inédito no Brasil, a Ópera Vanessa narra os conflitos entre o idealismo romântico e a realidade emocional de três mulheres: Vanessa, Erika e Baronesa, interpretadas por Tati Helene, Luisa Francesconi e Juliana Taino, respectivamente.

Depois de esperar 20 anos pelo retorno de seu amante Anatol, Vanessa acaba por conhecer seu filho, de mesmo nome, por quem se torna obsessivamente atraída. Enquanto isso, o jovem se envolve com a sobrinha de Vanessa, Erika, que não se sente segura sobre essa relação. A mãe de Vanessa, a Baronesa, assiste a tudo isso e faz graves julgamentos em relação à filha e à neta, recusando-se a trocar palavras com elas por acreditar que estão vivendo uma mentira.

De acordo com a psicóloga Flávia Valquíria, de 45 anos, que assistiu ao espetáculo com olhos vidrados, o texto de Barber cria um ponto de tensão que une as mulheres em busca de um ideal de amor romântico: “Elas vivem em cárceres emocionais, crendo na ilusão e esperando o que não existe. São três mulheres de diferentes gerações, que na busca do amor ideal, carregam em comum a insatisfação por não conseguir viver o amor que lhes foi ensinado e imposto como real”, observou a psicóloga.

Se por um lado a tensão posta pela trama e pela orquestração  tirou o fôlego do público, por outro, os personagens do Doutor (Marcelo Ferreira) e do mordomo (Flávio Lauria), arrancaram gargalhadas da plateia com investidas cheias de comicidade e humor. Para o produtor musical Claudio Erlam Gonçalves, 51, a personagem do barítono Marcelo Ferreira chamou a atenção do público, pois é o Doutor quem tudo sabe sobre as personagens femininas: “O Doutor vem cuidando das dores físicas e emocionais dessas mulheres por toda a sua existência, ele é o grande cúmplice de todo o drama e farsa que as rodeia, alguém que, para proteger a honra e moral daquela família, empurra a poeira para debaixo do tapete”, explicou.

Em uma atuação impecável, a postura de Anatol (Flávio Leite) o coloca na condição de antagonista da verdade e faz com que a dúvida que permeia o drama permaneça: 
“Mesmo sem deixar clara suas verdadeiras intenções, percebemos que o objetivo de Anatol é o de contrair matrimônio com uma mulher de posse, educada nos padrões da época. De forma racional, ele vive e reproduz o que aprendeu, talvez como as mulheres, sem dar espaço e atenção para os sentimentos. Suas palavras são poéticas, porém sem profundidade. Saiu como patrão, alcançou seu objetivo, é feliz diante das convenções impostas. Mas são eles todos, em algum momento, realmente felizes?”, ponderou Eduardo Gaia, 39, estudante de Direito.


 




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