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Gru Sinfônica e Quaternaglia estreiam Song of the Universal em concerto digital da Temporada 2021



Por Carla Maio
Publicado em 21/06/2021
Editado em 22/06/2021, às 11:24

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A Orquestra Gru Sinfônica estreou no último sábado (19) Song of the Universal, do compositor Sérgio Molina, em concerto digital ao vivo, transmitido diretamente do Teatro Adamastor, com a participação do Quarteto de Violões Quaternaglia e o pianista Rogério Zaghi. O espetáculo integra a série Novos Talentos e Descobertas da Temporada 2021 das orquestras de Guarulhos. Para assistir ao concerto, acesse https://www.youtube.com/watch?v=3gGwUVW9PmA

O espetáculo demonstrou verdadeiro estreitamento da relação entre o compositor, instrumentistas, solistas e a audiência, o que, segundo o maestro Emiliano Patarra, propicia o contato do público que acompanha o trabalho das orquestras de Guarulhos com a produção mais recente de compositores ligados ao mundo sinfônico. 

“A participação da Gru Sinfônica na criação e estreia da obra de Sérgio Molina garante a continuidade de um debate estético no qual são traçados os rumos da linguagem da música de concerto, tanto no país quanto no mundo, além de seu papel na sociedade”, enfatiza Patarra.

O poema Song of the Universal, do americano Walt Whitman, serviu de inspiração para que o compositor brasileiro Sérgio Molina pudesse compor a obra, que mantém constante diálogo com as imagens poéticas do poema em meio às técnicas da música orquestral justapostas e fundidas com as complexidades rítmicas da música popular urbana.

Composta inicialmente para piano e quarteto de violões, a peça foi completamente reestruturada para atender ao formato de concerto com a Orquestra Gru Sinfônica. O resultado, Song of the Universal, concerto para quarteto de violões (microfonado), piano e orquestra, difere completamente da peça encomendada pianista James Dick e que estreou em 2018 no estado do Texas, nos Estados Unidos, com o Quarteto de Violões Quaternaglia.

“Quando disse a James Dick que estava procurando por inspiração nos poemas de Walt Whitman, ele prontamente me enviou Song of the Universal, dizendo que se tratava de algo muito especial e, a partir daí, encontrei todas as soluções”, explica Sérgio Molina. Para o compositor, é muito mais interessante quando a inspiração surge de um elemento extramusical. “Quando temos uma analogia para buscar no diálogo com outra arte, nesse caso a literatura, é necessário ‘escapar’ de nós mesmos como compositor, de nossas técnicas e estilos já desenvolvidos, e pensar no modo como essa obra se comportaria na linguagem dos sons”. 

E foi na passagem do poema de Whitman que fala que há algo no ser humano, uma espécie de semente da perfeição, que o compositor encontrou a analogia ideal para traçar as primeiras melodias. Nesse contexto, a busca dessa semente da perfeição é a busca da canção que deu origem à peça Song of the Universal. 

A escolha do repertório


A Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos e a Orquestra Gru Sinfônica cumprem juntas a Temporada 2021, com um total de 20 espetáculos, que permitem ao público adentrar um universo de músicas sinfônicas de vários estilos, gêneros, misturas e possibilidades.  

Para compor o espetáculo de estreia de Song of the Universal, os regentes Emiliano Patarra e Kevin Camargo se debruçaram sobre um repertório artisticamente relevante para atender ao desafio da Temporada de confrontar estímulos e abordagens diferentes. Assim como a composição de Sérgio Molina, tanto a obra de Serguei Prokofiev quanto a de Gabriel Fauré foram concebidas inicialmente como música de câmera e foram ampliadas para atender a demanda de execução junto à orquestra.

No início do concerto O maestro Kevin Camargo comandou a batuta, com a execução de Abertura sobre temas Hebreus, Op. 34 bis, do compositor russo Serguei Prokofiev. Inicialmente, Prokofiev compôs a peça para um conjunto de seis instrumentos, transformando-a posteriormente em uma versão mais completa para orquestra. No todo orquestral, a obra demonstra entusiasmo rítmico, tanto na leveza dos diálogos das violas, violinos e violoncelos e nas melodias que se alternam quanto nos momentos de tensão que se contrastam. 

Na sequência, o maestro Emiliano assume a regência de Suíte Pelleas et Melisande, Op. 80, do compositor francês Gabriel Fauré, obra composta como trilha sonora da peça de teatro Pelleas et Melisande, de Maurice Maeterlinck, dramaturgia muito marcante na vida artística europeia no final do século XIX e início do século XX. Na adaptação feita para a orquestra, Fauré transformou a peça numa suíte com quatro movimentos, que misturam momentos de delicadeza e dramaticidade, um convite a um tipo muito peculiar de escuta com ideias musicais e combinações muito sutis. 

“A montagem de um programa se assemelha à elaboração do cardápio de um banquete, com peças e obras que realçam o sabor e a escuta umas das outras, por isso, é interessante que o programa instigue perspectivas diversas. No caso da Série Novos Talentos e Descobertas, a escolha do repertório vai muito além de complementar o programa, pois busca ressaltar os contrastes e as similaridades entre as obras executadas”, explica Patarra.

Papo de Plateia Frente a Frente

Os desafios para a construção da nova versão de Song of the Universal e a experimentação das sonoridades dos instrumentos para compor a instrumentação da orquestra foram alguns dos temas abordados durante o Papo de Plateia Frente a Frente, programa exibido no último dia 16 de junho pelas redes sociais das orquestras de Guarulhos. 

Durante o encontro, que contou com a participação dos entrevistadores Irineu Franco Perpétuo, jornalista, crítico musical e tradutor da Revista Concerto, Vinícius Jaloto, estagiário de composição e regência, e Mateus Ng, ex-aluno do Conservatório de Guarulhos e estudante da EMESP, o compositor Sérgio Molina, os músicos Fabio Ramazzina, Thiago Abdalla e Sidney Molina, e o pianista Rogério Zaghi falaram da  reestruturação da composição, dos ensaios, das expectativas em relação à estreia e dos rumos que a música sinfônica toma quando uma orquestra do porte da Gru Sinfônica assume em sua temporada a execução de uma obra contemporânea, de um compositor brasileiro, um trabalho completamente inusitado. 

“O quarteto de violões soma forças como agrupamento para dialogar com o piano. No plano das tessituras, a opção foi deixar a atuação de ambos em territórios diferentes, ora com o piano atuando na região dos médios e agudos e os violões no grave, ora invertendo essas posições, estratégias que permitem que esses instrumentos se destaquem em momentos diferentes. Para atender ao formato de concerto e incorporar a orquestra, a peça foi completamente reestruturada com tuttis orquestrais poderosos e predominantes, agradável para a regência e execução pelos músicos”, observou o compositor da peça. 

O pianista Rogério Zaghi falou de sua aproximação com a música contemporânea e do deleite em buscar e encontrar elementos para serem valorizados e criar aproximação com aquilo que o compositor idealizou. “A escrita para piano de Song of the Universal é muito consistente, pianisticamente importante, difícil e bem elaborada. A estreia de uma obra como essa é sempre uma investigação muito detalhada, que exige reflexão sobre cada uma das passagens, das harmonias, o que pode ser exaltado para brilhar e trazer à tona, as nuances da escrita, uma busca e pesquisa bastante intensas”, explica o pianista ao confessar grande satisfação em participar dessa construção.


O sucesso dessa grande empreitada, segundo o violonista Sidney Molina, músico do Quaternaglia, marca uma das características da Gru Sinfônica, o altíssimo nível de sua sonoridade.

“Para criar uma temporada robusta, com todos esses elementos e características, é preciso ter confiança no time e pensar na evolução sonora do grupo e, mesmo a pandemia, não atrapalhou a qualidade da orquestra. Tanto para executar obras cheias de nuances e temas que vão se sucedendo quanto para fazer uma estreia, é preciso de músicos com energia e vontade de fazer música nova. Ao longo dos ensaios, sentimos o acolhimento dos instrumentistas e percebemos sua vontade em conhecer, escutar e entender a obra, uma alegria e um trabalho coletivo que nos dá uma condição de trabalho muito agradável e favorável, e nos deixa à vontade para fazer o melhor que podemos, no alto nível exigido pela obra”. 

Para assistir ao Papo de Plateia Frente à Frente, acesse https://www.youtube.com/watch?v=BvDvo3RkGxM. Para mais informações e detalhes da Temporada 2021 das orquestras de Guarulhos, acesse https://bit.ly/3oRBVvb. Informações sobre eventos culturais online em Guarulhos estão disponíveis em www.guarulhos.sp.gov.br/agendacultural





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