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Prefeitura oferece aulas gratuitas de canto a pessoas com mais de 50 anos



Por Carla Maio
Publicado em 21/08/2018
Editado em 21/01/2020, às 14:57

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Histórias de vida e superação que compõem a vozes de uma das mais belas etapas da existência humana. Às quartas-feiras pela manhã, sempre das 9h às 11h, a Prefeitura de Guarulhos oferece aulas gratuitas de canto no Conservatório Municipal com o grupo Solfejando com a Melhor Idade, coral formado por homens e mulheres com mais de 50 anos, pessoas que encontraram na música uma forma bastante especial de se expressar e dar vazão às suas inspirações. 

De acordo com a professora Clarice Lopérgolo Aguiar, coordenadora do Projeto, o Solfejando com a Melhor Idade apresenta músicas cantadas em três vozes: soprano, contralto e barítono, contrariando o prognóstico de repertórios uníssonos, com uma só voz. “Isso faz com que as músicas fiquem ainda mais belas, as pessoas ficam encantadas com as nossas apresentações, muitas delas não esperam um alcance musical tão amplo de um grupo maduro como o nosso”, comemora a professora. 

Durante as aulas, os participantes também aprendem noções básicas de teoria enquanto desenvolvem um repertório cuidadosamente selecionado para esta faixa etária. “Prece ao Vento”, de Fernando Mendes, “Peguei um Ita no Norte”, de Dorival Caymmi, “Canta Brasil”, de Francisco Alves, “Vida de viajante”, de Luiz Gonzaga, “Lua Branca”, de Chiquinha Gonzaga, “Bandeira Branca”, de Dalva de Oliveira, “Jubilate Deo”, de Michael Praetorius e “Uirapuru”, de Jacobina e Murilo Latini, são algumas das músicas que compõem o variado repertório, canções que, de uma forma muito particular, se relacionam com a trajetória de cada um dos alunos. 

A professora Clarice explica que o Projeto surgiu em 2011, da necessidade de atendimento de pessoas acima de 50 anos, com ou nenhuma noção de música, de teoria musical. Dentre as conquistas musicais do grupo está a ampliação do conhecimento musical dos participantes, aprendizados que foram sendo adquiridos naturalmente, com o passar do tempo. Hoje, o grupo desenvolve músicas bastante complexas e as aulas teóricas acontecem gradativamente, à medida que as músicas do repertório demandam esse aprendizado.

A música tem o poder de curar a alma

Maria José Lopes dos Santos, de 72 anos, nos conta uma história impressionante de superação e luta. Em um quadro de depressão que já se estendia há cerca de cinco anos, ela não encontrava ânimo para as atividades rotineiras do dia a dia. Foi quando sua filha Cristiane dos Santos, de 48 anos, que na época era aluna de teoria da professora Clarice, a inscreveu em um novo projeto, o Solfejando com a Melhor Idade, acreditando que essa seria a grande oportunidade de reverter o estado de sua mãe.

E foi exatamente o que aconteceu. Desde que começou a frequentar as aulas, em 2011, Maria José encontrou paz, segurança, amizade e a motivação necessária para abandonar de vez a tristeza e se dedicar a algo que considera grandioso: cantar. “Faltei às quatro primeiras aulas, mas depois que comecei, não parei mais. Foi muito bom e está sendo maravilhoso participar do grupo, aqui eu encontrei uma grande família, a música teve o poder de curar a minha alma”. 

Para sua filha Cristiane, que hoje também acompanha o Grupo Solfejando com a Melhor Idade para fazer companhia à mãe, a conquista de Maria José representa uma grande vitória: “Cantar é um compromisso de minha mãe com ela mesma. Como as canções são folclóricas e o repertório basicamente construído com músicas de época, isso traz uma lembrança afetiva positiva para ela, isso faz muito bem a todos eles”, vibra a filha.

Profissional da área da saúde, Cristiane desenvolveu uma habilidade bastante interessante de leitura emocional dos participantes do grupo, conhecendo-os profundamente, como se todos fossem membros de sua própria família.

Quer viver mais alegre? Canta!

Com uma tez negra de dar inveja aos adeptos dos milagrosos produtos de beleza, a cativante Ester Arruda Melo, de 86 anos, conta que sempre gostou de cantar e dançar, mas nunca teve oportunidade: “Meu irmão sempre prometia que me levaria para cantar, mas nunca cumpriu a promessa. Fiquei frustrada quando ele foi morar no exterior e, por muitos anos, abandonei esse sonho. Um dia, minha amiga Amelinha me trouxe para cá, fiz o teste, comecei a cantar e hoje tenho certeza que era isso que estava faltando na minha vida”, conta Ester, alegre. 

Italiano da região da Lombardia, Giovanni Testi, de 85 anos, está no Brasil desde 1958 e também canta no grupo desde 2011. Giovanni está acostumado a chegar mais cedo para estudar o repertório e fazer bonito na frente dos demais colegas: “Gosto de soltar a voz, mas só quando tenho certeza, quando eu realmente sei a música, gosto muito do grupo, as amizades são fora de série, sempre cantei desde criança, já participei de óperas em igrejas, bares. Se você quer viver mais alegre, canta!”. 

Casados há 29 anos, Jucinéia Borghesi, de 53 anos e Marcos Borghesi, de 52, são exemplo de um casal que não foram engolidos pela rotina. Eles entraram no grupo no início do ano e descobriram uma aptidão para cantar até então desconhecida. “Eu sempre gostei de música e decidi aprimorar minha voz, não queria vir sozinha e o Marcos decidiu me acompanhar”, conta Jucinéia. Marcos, que estuda viola caipira no Grupo Afina Toeira, achava que não cantava bem e ficou surpreso com o resultado, mas principalmente com o carinho que encontraram: “Nos sentimos acolhidos pelo grupo e pela professora Clarice, cantar junto faz a música ficar ainda mais bonita, encantadora”. 

Para mais informações, ligue (11) 2087-7440, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.




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