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Linguagens em ação – Paralimpíadas e as Áreas de Conhecimento


Temática: Linguagens
Recurso(s): Giz de Cera Papel Sulfite Quadra Bola Rede de Voleibol Cone Folha Lápis Tinta Imagens Câmera de Celular Programas e Aplicativos para Edição Cadeira de Rodas
Autor(es): Liliana Montanari Crepaldi e Cinara Reis Lima
Colaborador(es): EPG Jean Piaget Responsável: Fernanda Lopes de Freitas Batista
Escola: EPG SITIO DO PICA-PAU AMARELO

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Justificativa

Os jogos paralímpicos originaram-se em 1939, quando o neurologista alemão Ludwig Guttman passou a trabalhar na reabilitação de soldados que serviram na Segunda Guerra Mundial com algumas modalidades esportivas. Essa iniciativa foi bem sucedida, tanto para fortalecer o físico quanto o estado emocional dos soldados e, por isso, em julho de 1948, Guttman promoveu o primeiro evento esportivo dedicado às pessoas com deficiências, que ocorreu em uma cidade próxima a Londres, onde, até então, sediava os jogos olímpicos.


Considerando a importância de um trabalho interdisciplinar voltado para a educação inclusiva, e aproveitando o momento esportivo atual das paralimpíadas em que os principais canais de comunicação (TV, rádio e redes sociais) apresentam histórias de força e superação através do esporte, percebeu-se a importância de reunir as áreas de Arte, Língua e Cultura Inglesa e Educação Física com o intuito de abordar, no contexto escolar, algumas práticas esportivas desconhecidas pelo educandos. A proposta foi promover uma vivência em que os educandos pudessem realizar na prática o que os atletas fazem.


As ações realizadas como ponto de partida foram atividades que contemplavam dois esportes paralímpicos: goalball e vôlei sentado, tendo em vista o olhar interdisciplinar das professoras de Educação Física e Arte.


O goalball é uma modalidade de equipe, na qual dois times com três jogadores cada tem por objetivo lançar a bola e acertar a rede da equipe adversária. Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias. A bola tem um guizo em seu interior para que os jogadores saibam sua direção, já que esse desporto é dedicado aos atletas com deficiência visual. O goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo e nas paradas oficiais. 


O vôlei sentado conta também com dois times de seis jogadores cada, que possuam alguma deficiência física ou relacionada à locomoção. Os jogadores devem manter contato com o solo o tempo todo, exceto em deslocamentos. Os sets têm 25 pontos corridos e, o Tie-Break, 15. Ganha a partida a equipe que vencer três sets.


Ressaltamos que o intuito foi de apresentar aos educandos e educandas estas modalidades, adequando-as ao espaço disponibilizado nas escolas.


É importante lembrar também que as propostas foram realizadas durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência  com o intuito de articular essa experiência aos saberes e aprendizagens das áreas citadas, coincidindo com o período dos jogos paralímpicos.


Objetivos 


Proporcionar a vivência de habilidades não utilizadas no cotidiano dos educandos, ou seja, deixar de “usar” alguma parte do corpo para realizar movimentos que até então, jamais teriam imaginado não ter.


Experienciar, exercitar e vivenciar o improviso a partir de diversos estímulos sensoriais, materiais, cognitivos e corporais.


Refletir sobre limitações, inclusão, superação.



Metodologia


Em Educação Física, a professora Liliana desenvolveu três propostas, especificando quais movimentos do cotidiano os educandos teriam que observar mais atenciosamente, (especificamente o andar, correr e o enxergar). Duas modalidades paralímpicas foram trabalhadas: vôlei sentado e o goalball, e também vivências com a locomoção em cadeira de rodas para que as crianças pudessem perceber as dificuldades enfrentadas por pessoas cadeirantes, utilizando a quadra da EPG. Estas propostas foram realizadas na escola com os educandos que estavam frequentando as aulas presencialmente.


Em Arte, a professora Cinara fez a contextualização do tema, com visualização de imagens (cartões pintados por pessoas com deficiência), culminando em duas propostas: 


Proposta 1 – desenho cego, desenhar sem olhar no papel a cena descrita pela professora, realizada na escola de forma presencial.


Proposta 2 – desenhar/pintar utilizando os materiais disponíveis em casa, sem utilizar a mão, realizada também com os educandos durante o período de ensino remoto.


Resultados observados 


Em todas as situações, ressaltando que são escolas diferentes localizadas em diferentes regiões do município, observamos que mesmo em meio às dificuldades em não poder usar sua mobilidade natural, as propostas os induziram a criar novas estratégias. As devolutivas recebidas foram maravilhosas. Os educandos e seus familiares estavam dispostos a realizar a atividade. Várias adaptações foram feitas com relação ao espaço e materiais, como o tamanho da quadra, que não comportava a mesma quantidade de atletas das modalidades mencionadas e, por isso, a atividade foi realizada com um time reduzido, ou quando não tinha rede de vôlei disponível na altura necessária, usou-se uma corda com dois cones em uma das escolas. Todas as adequações ocorreram sem perder a essência e os objetivos da aula. Portanto, os educadores e as educadoras das áreas de conhecimento citadas previamente atingiram o objetivo esperado.


Avaliação 


Observamos, ao longo do processo, a integração e participação de grande parte dos educandos. A dificuldade para acessar a internet foi a principal justificativa  para a não participação de algumas crianças. Ainda sim, foi disponibilizado um material impresso adaptando à proposta para o contexto remoto, possibilitando às crianças a realização da atividade. 


O senso crítico também foi um dos aspectos observados nas devolutivas. Notamos o  quanto as crianças gostaram de participar das atividades, pois interagiram de forma muito significativa às propostas das educadoras. 


Enfim, conclui-se que, através do lúdico, os educandos puderam significar e ressignificar sua percepção de mundo, cultivando o sentimento de empatia. Essa experiência ajudou a quebrar preconceitos provando que todos, sem exceção, podem participar de práticas esportivas com qualidade, além de perceberem o multiculturalismo que acontece dentro de um evento tão grandioso, com pessoas de diversas nacionalidades, de diversas culturas, convivendo juntos e juntas, respeitando-se mutuamente.


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